Clínica de Interrupção Voluntária da Gravidez no Rio de Janeiro

Clinica De Aborto Rio De Janeiro

E, consequentemente, fazer um aborto com dignidade

No final de julho de 2018, descobri que estava grávida e tomei a decisão de interromper a gestação no final de agosto. Tudo começou quando percebi um pequeno atraso na minha menstruação, que costuma ser muito regularizada. Poucos dias antes desse acontecimento, durante o último jogo do Brasil na copa em 07 de julho, recebi uma mensagem inesperada de um ex-namorado com quem havia terminado há dois anos atrás. Ele expressava seus sentimentos por mim e manifestava o desejo de tentarmos novamente. Embora ele fosse uma pessoa legal e eu tivesse gostado muito dele no passado, acabei me deixando levar pela situação após algumas cervejas.

Quando percebi que minha menstruação estava atrasada, compartilhei com alguns amigos o medo que sentia em fazer um teste de gravidez. Um deles me alertou sobre a importância de não adiar ainda mais essa decisão. Aceitei seu conselho e no dia seguinte, antes de ir para uma festa junina na casa de uma amiga, parei em uma farmácia e comprei o teste. Estava extremamente ansiosa e pensei que seria melhor não carregá-lo sem uso durante toda a festa, pois isso só aumentaria meu nervosismo.

Clínica de Aborto no Rio de Janeiro: Saiba mais sobre a plataforma AbortonoBrasil.Info

Desesperada, chamei uma amiga para entrar no banheiro comigo e despejei tanto o teste quanto a bula em suas mãos, implorando: “Por favor, me diz que não é positivo”. As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto sem controle algum. Ela manteve uma expressão séria misturada com surpresa ao receber aquela revelação inesperada e afirmou com convicção que sim, era um resultado positivo.

Houve uma grande comoção entre os amigos que estavam presentes naquele momento. Ainda abalada, enviei uma mensagem para o meu ex-parceiro (que já estava ciente do risco iminente): “Testei positivo”, informei. Ele respondeu com surpresa: “Sério?”. Confirmei e ele perguntou como eu estava e se gostaria que ele viesse me encontrar.

Quando ele chegou, tivemos uma conversa. Ele afirmou que estaria ao meu lado independentemente da minha escolha. Perguntei se ele queria e precisei insistir um pouco para que confessasse que não desejava ter um filho, mas também não queria me pressionar. Em seguida, ele me perguntou se eu queria e respondi que achava melhor não. Naquela época, eu tinha 27 anos, era bolsista e morava com meus pais, sem perspectivas de estabilidade financeira ou independência a curto prazo. Meu ex-namorado também estava desempregado e vivendo com sua mãe. Não queria trazer uma criança ao mundo nessas circunstâncias. No entanto, isso não significa que eu não quisesse ter um filho no futuro.

Como posso realizar um aborto? Desconheço o custo e não faço ideia de como começar a busca por informações. E se algo der errado durante o procedimento? Quais seriam as consequências legais caso eu seja presa?

“Não tive coragem de tomar a pílula”

A intensidade dos sentimentos que experimentei é algo indescritível e que não desejo a ninguém. Os dias seguintes foram extremamente difíceis. Minha alimentação ficou comprometida, eu acordava e dormia com o pensamento de “estou grávida” martelando em minha mente. Decidi ir a um posto de saúde próximo para realizar um teste de sangue e o resultado foi positivo.

Passando noites e dias em lágrimas, tentando escapar dos meus pais para que eles não suspeitassem de nada. Foi uma situação angustiante, sem saber qual era a melhor decisão a tomar. A incerteza sobre se eu queria ou não ter um filho e o desconhecimento sobre como lidar com essa possibilidade caso optasse por não tê-lo eram esmagadores. Meus amigos também estavam perdidos, sem saber como me ajudar nessa situação delicada.

Após um ou dois dias, decidi compartilhar minha situação com minha irmã, que acabou contando ao meu irmão. Surpreendentemente, encontrei apoio nas pessoas que menos esperava: minha família. Não porque duvidasse de sua capacidade de compreensão, mas porque eles não me julgaram nem me repreenderam em nenhum momento (o que naquele momento não ajudaria em nada e só pioraria meu estado emocional).

You might be interested:  Clínica IMT - Instituto de Medicina do Trabalho

Decidi que não era o momento certo para me tornar mãe e, com a ajuda financeira do meu irmão, comecei a explorar outras opções. Adquiri um medicamento chamado Cytotec, mas acabei decidindo não utilizá-lo. Fiquei cheia de dúvidas e preocupações, pensando que poderia ser uma experiência muito traumática depois de ler relatos assustadores sobre o assunto. Comecei então a procurar clínicas na minha cidade, porém descobri que as duas mais conhecidas já haviam fechado suas portas. Ouvi rumores de que encontrar uma clínica seria como entrar em um açougue, o que me deixou apreensiva…

“A clínica de curetagem”

Então, um conhecido do meu ex-namorado me indicou uma clínica em outra cidade. Ao mesmo tempo, um amigo meu também me passou o contato dessa mesma clínica e ainda me apresentou a alguém que já havia feito o mesmo procedimento lá alguns meses antes. Essa pessoa garantiu que o local era higienizado, o médico era profissional e que tudo era realizado com respeito e dignidade, como deveria ser.

Entre em contato com a clínica, agendei minha consulta e fiz uma longa viagem de ônibus de seis horas e meia até chegar lá. Passei a noite em um hotel e, no dia seguinte, minha amiga finalmente chegou para me acompanhar. Ao entrar na clínica, percebi que parecia mais um local voltado para tratamentos estéticos do que uma clínica médica tradicional. Antes de ser encaminhada para a sala de procedimento, o médico teve uma conversa comigo, explicando todos os detalhes e respondendo às minhas perguntas.

Disse que as clínicas funcionam com total aval do estado, já que toda semana ele pagava uns policiais para poder manter aquilo ali funcionando. Já na sala onde a curetagem ia acontecer, tinha uma anestesista e uma enfermeira. A anestesista me injetou com três coisas: anticoagulante, remédio pra dor e a anestesia geral. Antes da anestesia, ela disse que ia esperar o médico chegar pra falar comigo. Enquanto o médico não chegava, a enfermeira me disse que teria que amarrar as minhas pernas, porque como eu ia dormir, se ela não amarrasse, elas iam cair. Ela amarrou, o médico chegou e me disse “bons sonhos”, a anestesia entrou no meu sistema e eu apaguei.

Acordei me sentindo muito sonolenta e fui levada para um quarto com uma cama e banheiro, onde minha amiga estava me esperando. Eu havia deixado meu celular com ela para que pudesse manter amigos e familiares informados sobre o que estava acontecendo (se eu estava bem, etc.). Ela disse que tudo não durou mais do que dez minutos. Assim que o efeito da anestesia passou, recebi um lanche e o médico veio ao quarto para conversar comigo pela última vez e me dar seu contato caso eu sentisse algo estranho ou tivesse alguma dúvida. Tive apenas sangramento naquele dia e a dor no braço em que fui injetada foi maior do que as cólicas.

Em 9 de agosto de 2018, uma mulher teve a oportunidade de realizar um aborto com apenas dez minutos e R$ 5500 em dinheiro. Essa intervenção ocorreu quando a legalização do aborto foi negada na Argentina.

“Não há manual para quando se descobre uma gravidez indesejada”

Neste trecho, não mencionei como busquei ajuda de uma psicóloga dois dias após descobrir minha gravidez e como isso foi fundamental para mim. Também não contei que algumas amigas, das quais esperava apoio emocional, sequer se preocuparam em perguntar como eu estava depois de tudo. Uma delas até adotou uma postura moralista.

Quando nos deparamos com uma gravidez indesejada e decidimos fazer um aborto em um país onde isso não é legalizado, não há um manual que nos guie sobre como agir nessa situação. Além disso, meu ex-parceiro foi completamente ausente durante todo esse processo, sem me oferecer nenhum apoio emocional. Como ele estava desempregado na época, a maior parte da responsabilidade financeira para pagar pelo procedimento recaiu sobre mim. E essa dívida ainda persiste até hoje, pois ainda estou quitando-a.

You might be interested:  Clínica de reabilitação em Montes Claros, MG

Não mencionei que, quando ele me procurou, fazia apenas uma semana desde o término do seu relacionamento com outra garota. Acabei lidando com essa situação também porque ele foi covarde. Não relatei aqui no texto a solidão que senti durante meses depois de cortar relações com essas amigas e não encontrar apoio no meu ex-namorado. Chorei muito, todos os dias: no ônibus, durante o intervalo do trabalho e antes de dormir à noite. Sentia um vazio imenso, culpa e tristeza intensa…

Não mencionei anteriormente que fiz uma ultrassonografia e, ao olhar para o resultado depois de decidir pelo aborto, senti algo semelhante a um luto. Também não relatei como meu aniversário de 28 anos, cerca de um mês e meio após o aborto, foi extremamente solitário. Além disso, não mencionei que contei aos meus pais sobre o ocorrido alguns meses depois e eles foram incrivelmente receptivos e amorosos. Tive também a sorte de contar com amigos maravilhosos que foram incríveis durante esse período difícil. Hoje em dia, raramente choro mais por causa disso.

Claramente, essa foi a minha experiência pessoal. No entanto, é importante ressaltar que cada pessoa pode ter uma vivência completamente diferente e isso é perfeitamente válido. Este relato não pretende ser um guia sobre como se sentir, como mencionei anteriormente. Trata-se apenas de um desabafo anônimo, pois ainda existe muito tabu em torno desse assunto e é difícil discuti-lo abertamente fora do ambiente terapêutico. Sou privilegiada por poder pagar por um aborto seguro, digno e humano.

Se você passou por um aborto e está se sentindo confusa e triste, aqui estão algumas sugestões que podem te ajudar: caso seja possível, busque a ajuda de um psicólogo ou converse com alguém em quem confie e se sinta confortável. Isso pode fazer uma grande diferença, eu garanto. Além disso, escrever sobre seus sentimentos pode ser útil. Eu costumava manter um caderno onde desabafava sempre que me sentia muito triste. Não se culpe pelo ocorrido e afaste-se de pessoas que te façam sentir dessa forma. Se desejar, procure relatos de outras pessoas que também tenham passado por essa experiência; isso também me ajudou bastante. No YouTube há um documentário brasileiro chamado “Clandestinas”.

Nesta semana, temos a participação de uma leitora anônima no Divã. Ela compartilha sua história conosco, destacando a questão do aborto que ainda é ilegal no Brasil.

Você tem uma história para contar? Pode vir para o Divã d’AzMina. Envie para [email protected]

As visões apresentadas são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam necessariamente as da Revista AzMina. Nosso intuito é promover a discussão acerca das várias correntes do pensamento atual.

Países onde o aborto é legalizado

A Nova Zelândia se tornou um dos países mais progressistas do mundo ao descriminalizar o aborto em 2020. Essa decisão histórica foi tomada após uma votação no Parlamento, que resultou na revogação de leis antigas que criminalizavam a interrupção da gravidez. Agora, as mulheres neozelandesas têm o direito de fazer escolhas reprodutivas com autonomia e segurança.

Na Austrália, a luta pela legalização do aborto também tem avançado nos últimos anos. Em 2019, a Nova Galles do Sul se tornou o último estado a aprovar legislações para permitir o acesso seguro e legal ao procedimento. Anteriormente, as leis sobre aborto variavam entre os estados australianos, criando barreiras significativas para as mulheres que buscavam interromper uma gravidez indesejada.

Já na Tailândia, houve recentemente mudanças importantes em relação à legislação sobre aborto. No início de 2021, ocorreu a descriminalização dessa prática médica no país asiático. Posteriormente, em 2022, foi plenamente legalizado até as primeiras 20 semanas de gestação. Essa medida representa um grande passo rumo à garantia dos direitos reprodutivos das mulheres tailandesas e proporciona maior acesso aos serviços de saúde necessários nesse contexto.

P.S.: É encorajador ver esses avanços na questão do aborto ao redor do mundo. A descriminalização e legalização desse procedimento são fundamentais para proteger os direitos das mulheres e garantir sua saúde física e mental durante momentos difíceis. Esperamos que mais países sigam o exemplo dessas nações progressistas e adotem políticas que respeitem a autonomia das mulheres em relação às suas escolhas reprodutivas.

You might be interested:  Walk-In Clinic with X-Ray Services Near Me

Qual especialista investiga aborto?

Em caso de abortos espontâneos recorrentes, é importante buscar orientação médica. O primeiro passo é consultar um ginecologista especializado nesse tipo de situação. O profissional irá realizar uma série de exames para investigar as possíveis causas subjacentes. A seguir, apresentamos uma lista com algumas das principais opções de tratamento disponíveis:

1. Avaliação hormonal: o médico pode solicitar exames para verificar os níveis hormonais da paciente e identificar possíveis desequilíbrios que podem estar contribuindo para os abortos.

2. Testes genéticos: em alguns casos, a causa dos abortos pode estar relacionada a alterações genéticas nos pais ou no embrião/feto. Exames como cariótipo e análise do DNA podem ser realizados para detectar essas anomalias.

3. Investigação anatômica: o médico pode solicitar exames como ultrassom transvaginal ou histeroscopia para avaliar a estrutura uterina e verificar se há alguma malformação que esteja comprometendo a gravidez.

4. Tratamento de infecções: infecções no trato reprodutivo também podem levar a abortos espontâneos recorrentes, portanto, o médico poderá prescrever medicamentos antibióticos ou antivirais adequados caso seja identificada alguma infecção.

5. Suplementação vitamínica: em alguns casos, deficiências nutricionais podem afetar negativamente a saúde reprodutiva da mulher e aumentar o risco de aborto espontâneo recorrente. Nesses casos, suplementos vitamínicos específicos podem ser recomendados.

6. Cirurgia corretiva: se for identificada alguma malformação uterina ou cervical que esteja comprometendo a gravidez, o médico pode recomendar uma intervenção cirúrgica para corrigir o problema.

8. Aconselhamento psicológico: lidar com abortos espontâneos recorrentes pode ser emocionalmente desafiador e causar estresse significativo na vida da paciente. O suporte psicológico é fundamental nesse processo e pode ajudar a enfrentar as dificuldades emocionais associadas ao problema.

9. Repouso adequado: dependendo do caso, o médico poderá recomendar repouso absoluto ou restrições de atividades físicas durante a gestação para reduzir os riscos de aborto espontâneo.

10. Programa de acompanhamento especializado: em algumas situações mais complexas, pode ser necessário um programa de acompanhamento personalizado com uma equipe multidisciplinar composta por ginecologistas, geneticistas e outros profissionais especializados em reprodução humana assistida.

Como lidar com uma gravidez indesejada?

Se você suspeita de uma gravidez indesejada, é importante buscar ajuda o mais rápido possível. Uma opção é procurar a unidade básica de saúde (UBS) mais próxima da sua residência. Lá, você poderá relatar ao profissional de saúde que te atender sobre suas suspeitas e solicitar assistência médica.

Ao chegar na UBS, será encaminhado para um médico que irá avaliar a situação e realizar um exame chamado beta HCG. Esse exame consiste em analisar a presença do hormônio gonadotrofina coriônica humana no sangue, o qual indica se há ou não uma gestação em curso.

Caso seja confirmada a gravidez indesejada e você opte por interrompê-la, existem clínicas especializadas em aborto legalmente autorizado no Rio de Janeiro. Essas clínicas oferecem acompanhamento seguro durante todo o processo e garantem total sigilo sobre seu procedimento.

É fundamental ressaltar que qualquer tipo de intervenção relacionada à interrupção da gravidez deve ser feita dentro dos parâmetros legais estabelecidos pelo país. Portanto, busque sempre orientações adequadas junto aos profissionais de saúde competentes para garantir sua segurança física e emocional durante esse momento delicado.

Como realizar um aborto voluntário?

Para iniciar o processo de interrupção voluntária da gravidez, a mulher deve entrar em contato com o Hospital ou Centro de Saúde da sua região e solicitar uma consulta específica para esse fim. Nessa consulta, ela será avaliada por profissionais de saúde que irão fornecer informações sobre os procedimentos disponíveis e esclarecer dúvidas.

No Rio de Janeiro, assim como em outros estados brasileiros, existem clínicas especializadas nesse tipo de procedimento. Essas clínicas seguem rigorosos protocolos médicos e éticos para garantir a segurança das mulheres durante todo o processo. É fundamental buscar informações confiáveis sobre as opções disponíveis e contar com apoio médico adequado ao tomar uma decisão tão importante quanto essa.